'Barbie Humana': Corpo de influencer é exumado por ordem da Justiça para saber se ela foi asfixiada
05/02/2026
(Foto: Reprodução) 'Barbie Humana': Justiça manda caso de influencer à vara responsável por homicídios
O corpo da influenciadora digital Bárbara Jankavski Marquez, chamada de "Barbie humana", foi exumado por ordem da Justiça para saber se ela foi asfixiada e assassinada na casa de um defensor público, na Zona Oeste. A morte dela ocorreu em novembro de 2025.
A decisão judicial foi dada após pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A Promotoria alega que havia lesões e manchas no pescoço da mulher compatíveis com asfixia mecânica. Isso indica que ela poderia ter sido vítima de morte violenta, como uma agressão ou esganadura, por exemplo.
A exumação de Bárbara ocorreu na última terça-feira (3) no Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste da capital paulista. Os restos mortais passarão depois por nova perícia na Polícia Técnico-Científica. Ele será necropseado no Instituto Médico Legal (IML).
O MP pediu a perícia complementar com a realização de novo exame necroscópico sobre a causa da morte.
A Promotoria contestou o laudo preliminar, que indicou que a Bárbara morreu por infarto devido ao consumo de cocaína. E também discordou da conclusão do 7º Distrito Policial (DP), Lapa, de que ela teve um ataque cardíaco. A delegacia investigava o caso e apontou que a morte da influencer foi acidental, descartando a possibilidade de algum crime.
Posteriormente, a Justiça atendeu pedido do Ministério Público para novos exames no cadáver e que a investigação passasse a ser feita pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A Promotoria requisitou ainda exames e radiografia do pescoço de Bárbara para descobrir se há marcas de esganadura ou fratura em algum osso. Também quer teste de DNA sob as unhas da influencer para saber se ela se defendeu de alguma agressão. Se isso ocorreu, a análise do material genético poderia identificar alguém.
Até a última atualização desta reportagem o caso continuava sendo investigado como morte suspeita pela Polícia Civil. O inquérito também não foi concluído porque aguarda os resultados dos exames periciais. Peritos ouvidos pelo g1 disseram que o estado de decomposição do cadáver pode comprometer e dificultar a conclusão dos trabalhos.
O caso
Influencer Bárbara Jankavski Marquez tinha 31 anos e se apresentava como 'Boneca Desumana' nas redes sociais
Reprodução/Arquivo pessoal
Bárbara morreu em 2 de novembro. Ela tinha 31 anos e foi encontrada sem vida pela Polícia Militar (PM) na casa do defensor público Renato De Vitto, de 51 anos, na Lapa, seminua e com manchas pelo corpo.
Segundo os policiais da delegacia que investigava o caso, não houve crime, mas uma fatalidade.
A convicção deles se baseou no resultado do exame do Instituto Médico Legal sobre a causa da morte dela. A perícia do Instituto de Criminalística (IC) também não relacionava as lesões encontradas no corpo da influencer a possíveis agressões.
Mudança na investigação
Influencer chamada de 'Barbie humana' é encontrada morta em casa na Zona Oeste de SP
O Ministério Público e os advogados dos pais da influencer suspeitam que ela possa ter sido assassinada.
Eles alegam que Bárbara tinha sinais de violência física, como lesões no olho, no pescoço e nas pernas. E querem que as outras três pessoas que estiveram com ela na casa sejam investigadas para saber se têm ou não envolvimento na morte dela.
O entendimento do Poder Judiciário é o de que há indícios de que Bárbara pode ter sido vítima de algum crime doloso contra a vida. Foi por esse motivo que caso saiu da Vara Criminal e foi para a Vara do Júri, que cuida de crimes como homicídios.
Até o momento não há confirmação de que a influencer foi assassinada. Como ainda não há comprovação de crime, também não há nenhum suspeito sendo investigado. Apesar disso, a Justiça determinou que o celular do defensor fosse apreendido para ser periciado.
O DHPP tem um prazo inicial até o início de março de 2026 para aprofundar as investigações e concluir o inquérito. Mas esse tempo pode ser prorrogado.
O que diz o defensor
Os seguidores de Bárbara Jankavski Marquez a chamavam de 'Barbie humana'
Reprodução/Arquivo pessoal
Em seu depoimento, Renato falou que contratou a influencer como garota de programa para ter relações sexuais. Disse ainda que os dois consumiram cocaína, que ela dormiu depois e não acordou.
Ele pediu ajuda por telefone ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). E contou que chegou a fazer massagem cardíaca por nove minutos em Bárbara, mas ela não voltou a respirar. Quando a ambulância chegou, foi constatada a morte no local.
Como o 7º DP entendeu que Bárbara não foi vítima de crime, não foi apontado nenhum suspeito. O defensor público e as outras duas pessoas que estavam na residência dele naquele dia foram ouvidos como testemunhas.
Uma amiga de Renato afirmou à investigação que viu Bárbara caindo e se machucando, o que justificaria as lesões. Um amigo dela também esteve na residência.
'Boneca Desumana'
Bárbara Jankavski Marquez investiu mais de R$ 300 mil em 27 cirurgias para se parecer com a boneca 'Barbie'
Reprodução/Arquivo pessoal
Bárbara também era conhecida como "Boneca Desumana" nas redes sociais, onde tem mais de 400 mil seguidores, juntando suas contas do Instagram e do Tik Tok. A influencer fez 27 cirurgias plásticas para se parecer com a boneca Barbie.
O g1 não conseguiu localizar as três pessoas que estiveram na casa onde Bárbara morreu para comentar o assunto. Os advogados delas não foram encontrados.
Procurados nesta quinta-feira (5) pela equipe de reportagem, os advogados da família da influencer disseram que não iriam comentar o assunto.